segunda-feira, 5 de setembro de 2011

IV- do início

Londres, final dos anos 80. O crescimento do narcotráfico era cada vez maior, cada vez mais jovens morriam de overdose, e o número de viciados crescia concomitante ao número de mulas e pequenos traficantes. Nos hospitais eram constantes as internações, e logo a fuga destes, pois a política de narcotráfico estava mais dura, e penas cada vez mais rígidas eram aplicadas aos que se envolviam, seja por tráfico, porte, ou uso. As classes média e alta eram as mais afetadas, dinheiro não faltava, a juventude cada vez mais sem esperanças, a sociedade capitalista em crise devido ao decréscimo da economia.
Em meio a tudo isso, chegava Natasha, que fora mandada por seus pais para estudar inglês na Bridge School, lá conhecera Sophie Anne, uma bela jovem, cabelos encaracolados, magra, uma beleza estonteante, amor á primeira vista, e dividiriam um quarto por alguns meses. Anne estava há dois meses na cidade, conhecia diversos lugares, freqüentava bares e pubs, parques e shoppings. Natasha então passou a ser influencia pelo post-punk e grunge, acompanhando a amiga noite adentro, conhecendo todo tipo de pessoas, e logo ser apresentada as drogas, quão bom ou ruim seria isso ela não sabia, mas não aceitou fazer parte desse grupo de indivíduos viciados que imundavam as ruas, em todo lugar lá estavam, jovens acabavam-se, largados para morrer, o metrô era seu maior refúgio, havia vendedores, viciados, pedintes, garotas(os) que vendiam seu corpo a míseras moedas para enriquecer os traficantes, e pessoas comuns, que passavam diariamente para ir ao trabalho.
...Anne e Natasha chegam á nova atração da cidade, London Station, visual retro, música alta, gim tônica, ida ao banheiro e lá estavam duas jovens se picando, eufóricas pela sensação, não tinham sequer noção de como fazê-lo, disse-lhes para parar, elas riram. Disso tinha certeza, nunca usaria heroína, outra coisa talvez, nada que viciasse. Ácido, tinha em mãos, só uma vez não a deixaria viciada, engoliu com um pouco de coca, estava alta, drogada, alucinada, passou mal depois, vômito, mal estar, nunca mais usaria. Em casa Anne perguntara o que aconteceu, disse-lhe que passara mal, só isso, não falara do ácido.
Os dias que se sucederam, Natasha deixava de sair, ficara só. Anne agora já não contentava-se em curtir a música, o gim, conhecera agora a luxúria, a perdição, ficara louca, sempre alta, drogada. Não me contive, não queria ficar ali triste, carente, sozinha.
...leva-me, droga-me, seduz-me, possui-me...disse-lhe.
Anne dizia que eu não poderia parar, ao contrário dela que era forte, e só experimentara viver perigosamente. Mas insisti, e logo entregara-me ao vicio, ás drogas e orgias.
Tive de conseguir algo a mais para manter-me, a grana que meus pais me mandavam já não durava, já não me comprava meu whisky, meu pó, minha vida. Afundava-me cada vez mais, e mais, Anne parou, tentou me ajudar, já não partilhávamos as experiências de antes, não queria parar, queria ela, e ela, nada era suficiente.
...Sede, um gole do whisky mais barato, e logo levantara-se, dormira demais, Anne não estava, tinha ido ao Flea, disse que a mula chegaria hoje, era sempre sábado, no máximo domingo se os canas ficassem de vigia no aeroporto, pedi que ela me comprasse dois papelotes, ela demorara, já sentia-me mal, sentei-me na cama, rosto encostado na janela, olhos atentos á rua, uma goteira produzira um som, um grande eco espalhara-se pelo quarto, não me sentia-me bem, já era meia-noite...o tic-tac...

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